SOME OLD STORY
Ontem, teve extremos de malvadez. Dos golos do Benfica, um surge de penaltie no mínimo duvidoso, dois de jogadas em que parece haver fora de jogo. Há dois penalties a favor do Belenenses por marcar. O 2º golo deles é de sorte, a mesma que nos negou golos, bola na costas de Quim e no poste do Benfica. Além disso, houve um festival de ocasiões perdidas pela equipa de azul com a Cruz de Cristo.
Os números são esclarecedores: na 2º parte, o Benfica fez 3 remates, o Belenenses fez 9 remates! Os gajos do Record põem isso na ficha do jogo, embora branqueiem todas as intervenções vergonhosas de Bruno Paixão que condicionaram o resultado do jogo. Até dizem que fez uma boa arbitragem. E só fazem uma leve alusão à sorte inenarrável do Benfica.
Nesta altura, lembro-me do slogan “toda a merda é Benfica, toda a merda é Benfica, toda a merda é Benfica, ó-é-ó”. Mesmo. Toda a merda é Benfica, e ontem mais que nunca: os 6 milhões de gajos que encornaram a propaganda, a malta que é do Benfica porque não sabe o que há-de ser e portanto é do Benfica, os gajos da Bola e do Record, o Cartaxana e o Querido Manha, os
locutores da televisão, o Bruno Paixão, o Pedro Henriques, o Mário Mendes, o Vítor Pereira, os árbitros lampiões que iam para a Associação de Setúbal para poderem arbitrar o seu “Benfica”, o poder político, a RTP e a SIC e a TVI, o nacional-parolismo, as meninas cheeeladers e as que as câmaras da tv vão filmar, as crianças que são mais crianças que as ouras porque são do Benfica, o menino Zézinho que vai passar o Natal contente, sem o fantasma dos 11 pontos, e sem lhe passar pela cabeça que a vaca do presépio não se pode comparar em tamanho e poderes milagreiros com a do Benfica, os postes, as escorregadelas do Costinha e todos os índios que hão-de hoje andar a arrotar postas de pescada de arrogância.
Mas é nestes momentos que nos sentimos mais do Belenenses que nunca. É algo que nada nos pode tirar, nem a máquina de propaganda dos três, nem a ausência da afirmação da identidade pelas últimas Direcções, nem os muitos erros cometidos. O Belenenses por reconstruir, terá que passar por estar rivalidades, assumindo-as em pleno.
Ontem, a nossa equipa contribui para esse sentimento de clubismo azul, porque jogou futebol e jogou melhor que o adversário. Jogou com o esforço correcto, que não é apenas o do teatro, do sprint inconsequente, mas o de querer ter qualidade e ambição. Teve-a. Factores incontroláveis impediram um resultado justo. Mas, pela postura, o nosso “Bravo!”.
E por isso, naturalmente ontem os adeptos do Belenenses apreciaram bem a atitude e mesmo a perder ouvia-se distintamente “Belém, Belém, Belém”. A TVI devia editar o som. Não convém nada saber-se que o Belenenses tem adeptos. É uma pouca-vergonha. Só se pode ser adepto de três. Vejam lá isso. Até nem é nada que já não tenha sido feito.
Jogámos bem, mas udo foi bom na nossa equipa? Claro que não. Costinha ontem não esteve bem, nem feliz em dois golos, Gaspar foi pouco expedito no 3º, falhámos golos incríveis. Bom, mesmo, foi a transição defesa-ataque, a tal de que Carvalhal falou tanto, mas que Jorge Jesus está a conseguir montar.
Um recado para a equipa: a jogar assim, a sorte não há-de ser muitas vezes madastra como ontem. E nem sempre os árbitros hão-de ter um score de 13 vitórias e 2 empates a favor do nosso adversário, como o de ontem. O nacional-benfiquismo tinha que passar o Natal descansado e encomendou um Bruno paixão. Bastante eficaz. Mas, portanto, para a nossa equipa: continuem a trabalhar bem, e o 5º lugar está a 2 pontos e o 4º lugar a 3 pontos.
Uma boa Direcção deveria explorar a fundo o que ontem se passou, tanto em protesto como em mística. Deveria… Mas, temos o que temos. O Jorge Jesus pode fazer muito trabalho que caberia à Direcção, mas não faz parte da mesma.
Apreciações individuais
Costinha (1) - Teve culpa no 4º golo, teve metade de azar e metade de culpa no 4º. E como o Benfica não teve oportunidades além dos golos, não teve oportunidades para se redimir.
Gaspar (2) - Ligado ao lance do penaltie assinalado, mais que discutível facto que, por isso mesmo, não consideramos a seu desfavor. Mas podia ter feito mais no 3º golo. Esteve menos bem que nos últimos jogos.
Rolando (3) - Quase sempre bem na defesa e até podia ter marcado. Perto do fim perdeu uma bola que podia ser perigosa.
Nivaldo (3) - Novamente o melhor da defesa.
Alvim (3) - Saiu muitas vezes do lugar, pois Eliseu fazia a compensação. Mexido e ousado na 1ª parte, baixou no 2º tempo.
Sandro (3) – Exibição regular. Esteve quase a marcar, e se esse golo, no início da 2º parte, tem entrado, a história podia ser outra.
Ruben Amorim (4) – Grande exibição, a defender e a sair para o ataque. Só falhou nos remates, que não lhe saíram bem.
Zé Pedro (4) – Outra exibição positiva. Desta vez não marcou mas quase o fez, e criou ocasiões para outros.
Silas (4) – Tecnicamente excelente, enfrentando os adversários sem medo, e passando-os. Só faltou um pouco mais de acutilância a entrar na área. Está num bom momento.
Dady (2) – Exibição desconcertante. Sempre em jogo, e está evoluir no um conta um. Mas falhou golos que não se podem falhar. Mesmo com pouca sorte, numa das situações.
Roma (1) – Sem muito a dizer. Apenas a nota para a ousadia de Jesus, jogar só com 3 defesas na Luz.
Pinheiro (1) – Sem muito a dizer.

As exibições de Zé Pedro nos últimos jogos desta época têm-lhe granjeado o estatuto inequívoco de maior referência do plantel, um lugar que, para nós, só poderá ser desafiado por Silas ou por Nivaldo, embora a lógica do futebol seja sempre mais favorável aos avançados do que aos defesas. Ainda antes de entrar no estado de graça em que agora está tínhamos afirmado que Zé Pedro é uma dos melhores rematadores da Primeira Liga, senão mesmo o melhor. Tem feito valer essa característica ao ponto de ser o melhor marcador indiscutível da equipa e um dos melhores do campeonato. Seis golos em 13 jogos é marca de ponta de lança. Some-se a isso o seu trabalho como distribuir de jogo, que tem aparecido nos últimos jogos, e o resultado é liderar esta classificação.




E agora? Parece-nos que não tem sentido e é ridículo e desabonatório continuar a dizer que o objectivo é só evitar a descida. Também não há razões para perdermos o sentido da realidade, até porque está claro que a nossa estrutura é Jorge Jesus, Jorge Jesus, Jorge Jesus, Jesus e Jorge, Jorge e Jesus. Nada mais. É verdade, e não é assim que se constrói o futuro. Porém, mais um ano sem nenhum objectivo continuará a acelerar a erosão da massa adepta. Devemos portanto continuar a pensar jogo a jogo, discurso correcto do treinador (tire lá é a referência aos três grandes, não há necessidade), mas sem perder a ambição. Ter medo de ser feliz é puro masoquismo.
Vem aí o jogo da Luz, contra um adversário que mexe com o que resta do verdadeiro Belenenses. Mandamos às malvas as rivalidades patetas, absurdas e sem sentido com clubes recém-surgidos nos palcos maiores. Quando deixar de ter adeptos para quem um jogo com o Benfica diga mais do que jogos contra o Leiria ou o Aves, acabou-se. O Belenenses terá morrido.
Não vale a pena tecer grandes teorias sobre a nossa vestimenta cor de laranja. E não vale a pena porque ela, verdadeiramente, não existe. E não existe porque nós não vestimos de cor de laranja. Vestimos de azul, sendo isso das poucas coisas em que toda a gente está de acordo, até aqueles que não são do Belenenses. A cor de laranja aparece ali por um acto de “retro-marketing” gerado pelo pior foleirismo e “macaquismo de imitação” que este país é capaz de produzir e ao qual o Belém, embora atrasado, não ficou imune. Com efeito, a experiência das “outras cores”, mesmo as que nada têm a ver com os equipamentos que identificam os clubes, já teve o seu tempo. Foi moda em alguns clubes Europeus aqui há alguns anos e foi moda que não pegou. A génese clubística do futebol venceu a lógica do marketing. Os estilistas bem queriam, mas, coitados, não conseguem entrar no futebol. Como tudo o que é moda lá fora, chegou atrasada a Portugal. Desaparecerá depressa, com a mesma pressa que desapareceu lá fora. Basta ver as grandes equipas europeias para perceber que hoje já raríssimos são os jogos em que não jogam com o equipamento oficial ou com o alternativo oficial. Os “laranjas”, “verdes fluorescentes”, “roxos”, etc, já desapareceram e só tiveram o mérito de fazer os adeptos amarem ainda mais as suas cores originais. Sendo certo que não se deve brincar com coisas sérias, também é verdade que não há nada como uma boa “fricalhada” de vez em quando, para fazer recuperar o bom gosto. Deve ter sido essa a genialidade dos “experts” do marketing que estão por detrás disto!
Para o fazer, nem sequer é preciso encomendar estudos a especialistas. A explicação é dada pelo Silva do restaurante “Silvas”, de Braga, que a Bola entrevistou quando andou pela cidade à procura do mistério das fracas assistência.
Desmond Morris, ilustrou como a raiz do futebol é tribal. No futebol, as massas adeptas criam-se e mobilizam-se através de um sentimento de vínculo e de paixão, para os quais a identidade e independência - e a sua consequência necessária - a RIVALIDADE - são factores essenciais.

Mais uma vez marcámos cedo, ainda antes da passagem do primeiro quarto de hora, coisa que fizemos pela terceira vez consecutiva. Pontua neste aspecto a forma correcta como a equipa agora entra em campo, sem desvios de concentração, séria e confiante perante o jogo.
A solidez defensiva responde a seguir, com uma defesa em linha que utiliza confiante e destemidamente o fora-de-jogo com isso coartando a racionalidade ofensiva do adversário.
A entrada na segunda-parte está longe de ser famosa. A nossa segunda linha defensiva (que engloba os trincos e os próprios médios-alas) desce perigosamente para perto da primeira, recuando a muralha para perto da nossa área. O Marítimo alonga a largura da frente de ataque e consegue jogar o suficiente nas alas (sobretudo na ala direita do seu ataque, esquerda da nossa defesa) para criar bastante perigo. Passamos assim 10 minutos de alguma pressão, sem que o muito espaço que o Marítimo abre atrás se si seja por nós aproveitado, faltando capacidade de retenção de bola e acontecendo um fenómeno já ocorrido em jogo anterior: com a recuperação de bola feita muito cá atrás, o nosso contra-ataque não consegue cumprir os 70 metros que o separam da baliza adversária.
Jesus lê muito bem o jogo. Percebe que é o nosso lado esquerdo que está em défice, sendo por aí que o Marítimo arrisca ofensivamente, mas, simultaneamente se desguarnece defensivamente. Manda entrar Eliseu, cremos que para ajudar a resolver o primeiro factor e para explorar o segundo.



