Photobucket - Video and Image Hosting

sábado, dezembro 23, 2006

SOME OLD STORY

(por motivos técnicos, só hoje e agora pudemos publicar este texto)
Tantas vezes que já vimos este filme! Foi uma reprise. Quando jogamos bem contra o Benfica, a conhecida sorte e os árbitros dão-lhes a vitória.

Ontem, teve extremos de malvadez. Dos golos do Benfica, um surge de penaltie no mínimo duvidoso, dois de jogadas em que parece haver fora de jogo. Há dois penalties a favor do Belenenses por marcar. O 2º golo deles é de sorte, a mesma que nos negou golos, bola na costas de Quim e no poste do Benfica. Além disso, houve um festival de ocasiões perdidas pela equipa de azul com a Cruz de Cristo.

Os números são esclarecedores: na 2º parte, o Benfica fez 3 remates, o Belenenses fez 9 remates! Os gajos do Record põem isso na ficha do jogo, embora branqueiem todas as intervenções vergonhosas de Bruno Paixão que condicionaram o resultado do jogo. Até dizem que fez uma boa arbitragem. E só fazem uma leve alusão à sorte inenarrável do Benfica.

Nesta altura, lembro-me do slogan “toda a merda é Benfica, toda a merda é Benfica, toda a merda é Benfica, ó-é-ó”. Mesmo. Toda a merda é Benfica, e ontem mais que nunca: os 6 milhões de gajos que encornaram a propaganda, a malta que é do Benfica porque não sabe o que há-de ser e portanto é do Benfica, os gajos da Bola e do Record, o Cartaxana e o Querido Manha, os
locutores da televisão, o Bruno Paixão, o Pedro Henriques, o Mário Mendes, o Vítor Pereira, os árbitros lampiões que iam para a Associação de Setúbal para poderem arbitrar o seu “Benfica”, o poder político, a RTP e a SIC e a TVI, o nacional-parolismo, as meninas cheeeladers e as que as câmaras da tv vão filmar, as crianças que são mais crianças que as ouras porque são do Benfica, o menino Zézinho que vai passar o Natal contente, sem o fantasma dos 11 pontos, e sem lhe passar pela cabeça que a vaca do presépio não se pode comparar em tamanho e poderes milagreiros com a do Benfica, os postes, as escorregadelas do Costinha e todos os índios que hão-de hoje andar a arrotar postas de pescada de arrogância.

Mas é nestes momentos que nos sentimos mais do Belenenses que nunca. É algo que nada nos pode tirar, nem a máquina de propaganda dos três, nem a ausência da afirmação da identidade pelas últimas Direcções, nem os muitos erros cometidos. O Belenenses por reconstruir, terá que passar por estar rivalidades, assumindo-as em pleno.

Ontem, a nossa equipa contribui para esse sentimento de clubismo azul, porque jogou futebol e jogou melhor que o adversário. Jogou com o esforço correcto, que não é apenas o do teatro, do sprint inconsequente, mas o de querer ter qualidade e ambição. Teve-a. Factores incontroláveis impediram um resultado justo. Mas, pela postura, o nosso “Bravo!”.

E por isso, naturalmente ontem os adeptos do Belenenses apreciaram bem a atitude e mesmo a perder ouvia-se distintamente “Belém, Belém, Belém”. A TVI devia editar o som. Não convém nada saber-se que o Belenenses tem adeptos. É uma pouca-vergonha. Só se pode ser adepto de três. Vejam lá isso. Até nem é nada que já não tenha sido feito.

Jogámos bem, mas udo foi bom na nossa equipa? Claro que não. Costinha ontem não esteve bem, nem feliz em dois golos, Gaspar foi pouco expedito no 3º, falhámos golos incríveis. Bom, mesmo, foi a transição defesa-ataque, a tal de que Carvalhal falou tanto, mas que Jorge Jesus está a conseguir montar.
Falhámos nos limites, junto das balizas, embora dominando claramente a meio campo e em 70% do terreno.

Um recado para a equipa: a jogar assim, a sorte não há-de ser muitas vezes madastra como ontem. E nem sempre os árbitros hão-de ter um score de 13 vitórias e 2 empates a favor do nosso adversário, como o de ontem. O nacional-benfiquismo tinha que passar o Natal descansado e encomendou um Bruno paixão. Bastante eficaz. Mas, portanto, para a nossa equipa: continuem a trabalhar bem, e o 5º lugar está a 2 pontos e o 4º lugar a 3 pontos.

Uma boa Direcção deveria explorar a fundo o que ontem se passou, tanto em protesto como em mística. Deveria… Mas, temos o que temos. O Jorge Jesus pode fazer muito trabalho que caberia à Direcção, mas não faz parte da mesma.

Apreciações individuais

Costinha (1) - Teve culpa no 4º golo, teve metade de azar e metade de culpa no 4º. E como o Benfica não teve oportunidades além dos golos, não teve oportunidades para se redimir.

Gaspar (2) - Ligado ao lance do penaltie assinalado, mais que discutível facto que, por isso mesmo, não consideramos a seu desfavor. Mas podia ter feito mais no 3º golo. Esteve menos bem que nos últimos jogos.

Rolando (3) - Quase sempre bem na defesa e até podia ter marcado. Perto do fim perdeu uma bola que podia ser perigosa.

Nivaldo (3) - Novamente o melhor da defesa.

Alvim (3) - Saiu muitas vezes do lugar, pois Eliseu fazia a compensação. Mexido e ousado na 1ª parte, baixou no 2º tempo.

Sandro (3) – Exibição regular. Esteve quase a marcar, e se esse golo, no início da 2º parte, tem entrado, a história podia ser outra.

Ruben Amorim (4) – Grande exibição, a defender e a sair para o ataque. Só falhou nos remates, que não lhe saíram bem.

Zé Pedro (4) – Outra exibição positiva. Desta vez não marcou mas quase o fez, e criou ocasiões para outros.

Silas (4) – Tecnicamente excelente, enfrentando os adversários sem medo, e passando-os. Só faltou um pouco mais de acutilância a entrar na área. Está num bom momento.

Dady (2) – Exibição desconcertante. Sempre em jogo, e está evoluir no um conta um. Mas falhou golos que não se podem falhar. Mesmo com pouca sorte, numa das situações.

Roma (1) – Sem muito a dizer. Apenas a nota para a ousadia de Jesus, jogar só com 3 defesas na Luz.
Sousa (1) – Sem muito a dizer.

Pinheiro (1) – Sem muito a dizer.

quinta-feira, dezembro 21, 2006

benfica 4 BELENENSES 0

Perdemos pesadamente, mas tivémos uma equipa em campo digna da nossa camisola.
Fomos derrotados pelo costume: a inenarrável sorte dos benfiquistas e vastas ajudas da arbitragem.

VIVA O BELÉM!

Lutem!

até à última gota!!!!!
Photobucket - Video and Image Hosting

quarta-feira, dezembro 20, 2006

JOGADOR MAIS VALIOSO - 14ª JORNADA

Esta classificação, sendo apresentada à 14ª jornada, só se refere aos últimos 4 jogos, pois só começámos a pontuar a equipa no jogo contra o Estrela da Amadora. Será actualizada até ao final da época após cada jornada.
A classificação baseia-se na soma pura e não nas médias, as quais são apresentadas ao lado para efeitos meramente indicativos. O objectivo é apenas medir em termos quantitativos, sem prejuízo da subjectividade inerente a todas as pontuações, o JOGADOR MAIS VALISOSO para a equipa.
ZÉ PEDRO ASSUME-SE

As exibições de Zé Pedro nos últimos jogos desta época têm-lhe granjeado o estatuto inequívoco de maior referência do plantel, um lugar que, para nós, só poderá ser desafiado por Silas ou por Nivaldo, embora a lógica do futebol seja sempre mais favorável aos avançados do que aos defesas. Ainda antes de entrar no estado de graça em que agora está tínhamos afirmado que Zé Pedro é uma dos melhores rematadores da Primeira Liga, senão mesmo o melhor. Tem feito valer essa característica ao ponto de ser o melhor marcador indiscutível da equipa e um dos melhores do campeonato. Seis golos em 13 jogos é marca de ponta de lança. Some-se a isso o seu trabalho como distribuir de jogo, que tem aparecido nos últimos jogos, e o resultado é liderar esta classificação.



Photobucket - Video and Image Hosting


Enquanto o plantel continuar a passar as mãos por esta gadelha, é sinal de que elas continuam a bater lá dentro!

Photobucket - Video and Image Hosting



Os “perseguidores”:


Photobucket - Video and Image HostingPhotobucket - Video and Image HostingPhotobucket - Video and Image Hosting

Com Silas ainda cá para trás, é um trio defensivo que persegue Zé Pedro, não fosse essa muralha uma das marcas desta equipa.

terça-feira, dezembro 19, 2006

DE PRIMEIRO DOS ÚLTIMOS A ÚLTIMO DOS PRIMEIROS… E AGORA?

Três vitórias seguidas mudaram muita coisa na prestação da equipa do Belenenses.

Antes destes três jogos, as nuvens eram muito negras. O pesadelo da repetição do desastre do ano passado estava a ganhar força. A angústia crescia. Já só éramos o primeiro dos últimos e temíamos ainda pior.

Nove pontos colocam-nos agora em 9º lugar, com os mesmos pontos do 7º, a dois pontos da Europa e a seis da Liga dos Campeões. A linha de água está já a 12 pontos, quase a meio do campeonato, 12 pontos à maior de equipas a quem ganhámos em sua casa. Somos agora o último dos primeiros. Já é melhor.


E agora? Parece-nos que não tem sentido e é ridículo e desabonatório continuar a dizer que o objectivo é só evitar a descida. Também não há razões para perdermos o sentido da realidade, até porque está claro que a nossa estrutura é Jorge Jesus, Jorge Jesus, Jorge Jesus, Jesus e Jorge, Jorge e Jesus. Nada mais. É verdade, e não é assim que se constrói o futuro. Porém, mais um ano sem nenhum objectivo continuará a acelerar a erosão da massa adepta. Devemos portanto continuar a pensar jogo a jogo, discurso correcto do treinador (tire lá é a referência aos três grandes, não há necessidade), mas sem perder a ambição. Ter medo de ser feliz é puro masoquismo.

Vem aí o jogo da Luz, contra um adversário que mexe com o que resta do verdadeiro Belenenses. Mandamos às malvas as rivalidades patetas, absurdas e sem sentido com clubes recém-surgidos nos palcos maiores. Quando deixar de ter adeptos para quem um jogo com o Benfica diga mais do que jogos contra o Leiria ou o Aves, acabou-se. O Belenenses terá morrido.

Num clube que cuidasse da sua identidade, sem a ideia pateta e primária que bons resultados fazem directamente e sem mais boas assistências, o que já desmontámos no último post, estaria a ser feita uma mobilização de adeptos para mostrar, na Luz, que a nação futebolística do Belenenses ainda existe. Há poucos anos, tivemos lá mil e tal adeptos. A bitola deveria ser essa, no mínimo. Cero que tudo isto necessitaria de um élam que não há, mas façamos um esforço, nós, Adeptos.

Aos adeptos, dizemos: “vamos, sem medo, mostrar que o Belenenses existe”, que existe e quer mostrar que existe, que quer mostrar que existe como clube que não se verga, que não encaixa como acessório no futebol Português, que tem a sua identidade, que tem as suas ambições.

Aos jogadores, dizemos: “Este é um jogo em que têm tudo a ganhar e pouco a perder. Do pouco a perder, só há que evitar algum acidente que desmoronasse a equipa. Isso evita-se com concentração e manutenção de postura em qualquer circunstância. A ganhar têm muito: a vossa auto-estima, a consideração dos adeptos, o conceito de um clube respeitável, conceito esses que está entrelaçado com vocês para o bem ou para o mal. Se vencerem o jogo, o inferno deixa de se ver. Mais: podem sair do purgatório para o Céu. É a altura de mostrar de que massa são feitos. Não se conformem com a mediana.

Não queiram passar sem deixar um registo de vós na história”.

Portanto, vamos ao 4º. Quer dizer, ao 4º jogo sem perder, e melhor ainda, ao 4º jogo seguido a ganhar. Nós acreditamos!


segunda-feira, dezembro 18, 2006

O "equipamento" cor de laranja

Não vale a pena tecer grandes teorias sobre a nossa vestimenta cor de laranja. E não vale a pena porque ela, verdadeiramente, não existe. E não existe porque nós não vestimos de cor de laranja. Vestimos de azul, sendo isso das poucas coisas em que toda a gente está de acordo, até aqueles que não são do Belenenses. A cor de laranja aparece ali por um acto de “retro-marketing” gerado pelo pior foleirismo e “macaquismo de imitação” que este país é capaz de produzir e ao qual o Belém, embora atrasado, não ficou imune. Com efeito, a experiência das “outras cores”, mesmo as que nada têm a ver com os equipamentos que identificam os clubes, já teve o seu tempo. Foi moda em alguns clubes Europeus aqui há alguns anos e foi moda que não pegou. A génese clubística do futebol venceu a lógica do marketing. Os estilistas bem queriam, mas, coitados, não conseguem entrar no futebol. Como tudo o que é moda lá fora, chegou atrasada a Portugal. Desaparecerá depressa, com a mesma pressa que desapareceu lá fora. Basta ver as grandes equipas europeias para perceber que hoje já raríssimos são os jogos em que não jogam com o equipamento oficial ou com o alternativo oficial. Os “laranjas”, “verdes fluorescentes”, “roxos”, etc, já desapareceram e só tiveram o mérito de fazer os adeptos amarem ainda mais as suas cores originais. Sendo certo que não se deve brincar com coisas sérias, também é verdade que não há nada como uma boa “fricalhada” de vez em quando, para fazer recuperar o bom gosto. Deve ter sido essa a genialidade dos “experts” do marketing que estão por detrás disto!

domingo, dezembro 17, 2006

A questão do vínculo clubístico

Não é hábito deste espaço discutir aspectos genéricos do futebol Português ou outros que digam respeito a clubes que não o nosso.

O tema deste artigo poderá parecer deslocado face a este critério, mas não o é.

Trata-se, na verdade, de um tema altamente premente para nós: o grau de fidelidade da massa adepta às bancadas do seu clube, vulgo dizer, as “assistências”.

O caso que dá o mote a esta reflexão ocorreu esta semana e conta-se nas seguintes palavras: o Braga alcançou um feito histórico, que foi seguir em frente na Taça UEFA após passar a fase de grupos, mercê de uma vitória caseira sobre o Grashoppers. Enquanto o clube exultava com o feito, o presidente António Salvador destoava, dizendo-se desiludido, magoado e disposto a abandonar o clube. A razão era a escassa assistência que jogo havia tido - cerca de 11.000 pessoas. Salvador foi mais longe afirmando mesmo que “não valia a pena continuar” e que “se calhar era melhor mudar o clube para o Porto, Barcelos (esta última uma burrice galopante pois Barcelos tem ainda menos clubismo que Braga) ….” ou, suprema heresia, “…. para Guimarães”!

Se as afirmações de Salvador podem, à primeira vista, parecer compreensíveis e aceitáveis como crítica a uma massa adepta “ingrata” que não aproveita o excelente trabalho e esforço de gestão (que para nós é notável) da sua direcção e o seu efeito inegável de crescimento futebolístico, já uma análise mais profunda mostra outras coisas e permite chegar à chave do problema.

Para o fazer, nem sequer é preciso encomendar estudos a especialistas. A explicação é dada pelo Silva do restaurante “Silvas”, de Braga, que a Bola entrevistou quando andou pela cidade à procura do mistério das fracas assistência.

O Silva lá explicou que o problema era simples e que a própria pessoa que dele se queixava - o Salvador - era uma exemplificação clara do problema. É que o Salvador, pasme-se, é Dragão de Ouro! Ou seja, o Salvador dirige o Braga, mas tem as insígnia máximas do clube que fica 60 Km abaixo e que, em condições normais, deveria ser um foco de rivalidade mobilizadora do clube que dirige. Ainda nas palavras do Silva, aponta-se o síndroma do “duplo cachecol”, que, no caso de Salvador, se somarmos a insígnia dos Andrades aos seus recentes passeios ao México na íntima companhia do presidente do Benfica, numa viagem de promoção benfiquista à qual o presidente do Braga se associou como adereço, o problema pode ser mesmo de “triplo cachecol”.

O Silva explica o óbvio: o Braga pode ganhar, pode fazer proezas na UEFA, pode até chegar à Liga dos Campeões. Pode fazer isso tudo. Mas há um problema: não tem identidade! Vive na mais assumida promiscuidade com as forças dominantes do futebol Português. Em vez de afirmar a sua independência, a sua identidade, faz o contrário, dilui-a por todos os meios que tem ao seu alcance. E o Salvador, seu presidente, é disso o exemplo vivo.

Aliás, as suas ameaças de mudança para Guimarães são outra prova inequívoca de que ele representa muito mais o problema do que a solução. Trata-se de uma asneira absurda. A interpretação dessas palavras é a seguinte: o que interessa é arranjar uma equipa que jogue bom futebol que as pessoas, se não forem ingratas, vêm a correr. Para ele, os de Guimarães viriam. Salvador faz o seguinte raciocínio: se os Vimaranenses que andam pelos calabouços da Liga de Honra metem 20.000 no estádio, se fossem comigo (com ele) à UEFA punham 30.000 pelo menos.

Tremendo erro! Na realidade, não punham nenhum. Aliás, mesmo que se tornasse subitamente Vimaranense, Salvador nem lá entrava. E isso por duas razões que os de Guimarães (que têm identidade) não lhe perdoariam: porque é Dragão de Ouro e porque passeia de mãos dadas com o presidente do Benfica.

A reflexão, com a ajuda das palavras do Silva (que valem por 4.000 horas de acessoria da Deloitte ou equivalente) chega à conclusão principal: NÃO SÃO OS RESULTADOS QUE CRIAM ASSISTÊNCIAS REGULARMENTE BOAS. O QUE AS CRIA É UM FORTE SENTIMENTO CLUBÍSTICO DE INDEPENDÊNCIA E DE IDENTIDADE.

Atenção que não é o bairrismo. Braga é tão ou mais bairrista do que Guimarães. Acaba em “ismo”, mas é diferente. É o “clubismo”. É o sentimento através do qual um grupo de pessoas acha que o seu clube é a única coisa que interessa e que todos os outros são rivais. Isto faz clubes.

Por isso, Guimarães tem 20.000 na Liga de Honra, enquanto Braga tem 11.000 na Taça UEFA.

E é esta conclusão principal que nos interessa. É esta a conclusão a que muitos no Belenenses querem fugir e que explica as tremendas asneiras que nos têm assassinado nos últimos anos e que têm, só para dar um exemplo, culminado com a inenarrável presença de centenas de adeptos de clubes adversários na bancada dos sócios.

Um teste permitiria testar isto empiricamente. Era questão de experimentar colocar as tais centenas de lagartos ou lampiões que têm acedido à nossa bancada, na bancada de sócios do Guimarães.

Não seria para os mesmos uma experiência violenta, pela simples razão de que não chegariam a entrar nessa bancada.

Quem acompanha o futebol sabe distinguir de memória as bancadas de sócios dos clubes onde há duplo cachecol e onde não há. Braga sempre foi e será um exemplo dessa presença. Guimarães, não. O resultado são 20.000 na segunda a 11.000 na UEFA.

A bancada de sócios do Restelo já foi um dos “locais livres de duplo cachecol”. Deixou de o ser nos últimos anos, havendo que “agradecer” a quem de direito.

Mais exemplos de que os resultados não são a mais importante fonte de mobilização, podem ainda ser encontrados no nosso futebol. É conhecida a história de um funcionário administrativo da UEFA que, respondendo a uma pedido de emissão de 3.000 bilhetes por uma colectividade portuense apurada para uma competição Europeia e que jogava em casa, decidiu enviar 30.000. Quando lhe devolveram os 27.000 excedentes, o aludido explicou que não tinha sequer imaginado ser possível que um clube recém campeão no seu país pudesse apenas ter 3.000 adeptos em casa e que, por isso, havia “corrigido” o pedido.

Ora, esse clube é aquele em que a referência mor, pai do actual presidente, é um conhecido e assumido sócio do Sporting e em que o filho, que agora gere o clube, decidiu, por razões monetárias, vender ¾ do estádio ao Benfica num jogo de há duas épocas, empilhando sócios e claque numa só bancada. O mesmo que contrata um treinador e, semanas depois, mediante um prato de lentilhas, obedece à ordem de requisição portista e o deixa sair para o rival local.

Enfim, vê quem quer.


Desmond Morris, ilustrou como a raiz do futebol é tribal. No futebol, as massas adeptas criam-se e mobilizam-se através de um sentimento de vínculo e de paixão, para os quais a identidade e independência - e a sua consequência necessária - a RIVALIDADE - são factores essenciais.

Os resultados são importantes, mas apenas como forma de alimentar esses factores.

Sozinhos não fazem nada!

Por alguma razão, nunca pegaram no futebol os jogos de exibição tipo “all start” e não há “concursos de pontapés de bicicleta”, como no Basket há concursos de afundanços.

A malta do futebol é feita de outra carnadura e vai ao estádio para ver bom futebol, mas, sobretudo, para ver a sua equipa ganhar, ou pelo menos, para lutar até à morte pela sua camisola.

O vínculo principal é à equipa. Não ao espectáculo.

Por fim, há o aspecto secundário a que também se alude na “questão bracarense”. O aspecto do estádio.

O paralelismo com o Restelo é evidente: magnifica obra de arquitectura, mas que não está pensada para cativar adeptos a lá ir. Ganha prémios de arquitectura, mas não de assistências.

Photobucket - Video and Image Hosting

No Belenenses, já devíamos há muito estar a reflectir (ou mesmo a actuar) sobre isto. Pensamos que a solução andará por uma afirmação óbvia: pode-se ter uma grande obra de arquitectura, mas que seja, ao mesmo tempo, um estádio pensado para cativar gente para assistir ao futebol.

No nosso caso, os problemas são óbvios: bancadas a um kilómetro do rectângulo de jogo, ausência de espaços modernos e convidativos para os sócios, preferência pelas tascas, etc. etc.

Há que resolver isto!

sábado, dezembro 16, 2006

obrigadinho, obrigadinho

Espetar 4-1 fora ao 5º classificado e ser o único jogo desse dia lá nos deu direito a umas tirinhas nas primeiras páginas.
Vá lá, vá lá, o melhor é agradecer e não refilar muito.
Se conseguíssemos um dia ganhar 72 a 0 ao Barcelona em Nou Camp ainda éramos capazes de ter uma "tira" para aí do dobro do tamanho.
Isso, obviamente, se o Simão ou o Moutinho não se tivessem constipado na véspera!

Photobucket - Video and Image Hosting

Crónica de uma goleada fora

A primeira coisa que se deve dizer como comentário ao jogo de ontem é que é uma felicidade para os adeptos ver jogos assim. No futebol, ganha-se e perde-se, mas são vitórias como a de ontem que empurram as equipas de encontro aos seus adeptos, formando a identidade na qual se formam os grande clubes de futebol.

Sejamos claros: a nossa equipa não é uma “equipa de sonho”, que pegue na bola e a circule abundantemente pelo meio campo do adversário, fazendo aquilo a que se chama o “domínio de jogo”.

Pelo contrário, é uma equipa que economiza e racionaliza o seu ataque e que está vocacionada para espremer ao máximo cada passagem do meio campo adversário.

Se nos libertarmos dos “clichés” habituais do futebol (cada vez mais em crise no futebol moderno) nada impede que se considere uma equipa com estas características como uma equipa forte. O Belenenses dos últimos jogos está claramente a sê-lo e parece estar a consolidar aquilo que lhe faltou nos últimos anos - uma identidade.

Aqui reside o grande mérito de Jorge Jesus. Transformou uma equipa com lacunas evidentes (aliás, claramente assumidas pelo próprio) numa equipa que faz dos seus pontos não lacunares pontos muito fortes, ganhando com isso jogos e começando a afirmar uma identidade que já não passa despercebida neste campeonato.

Mesmo para uma massa adepta calejada como a nossa, precavida para não sonhar alto, é impossível não se ficar entusiasmado com uma goleada fora como esta, num terreno fértil em desestabilizações emocionais e num jogo que seria um teste à capacidade de concentração e à mentalidade da equipa.

O teste foi superado e de que maneira!

Mais uma vez marcámos cedo, ainda antes da passagem do primeiro quarto de hora, coisa que fizemos pela terceira vez consecutiva. Pontua neste aspecto a forma correcta como a equipa agora entra em campo, sem desvios de concentração, séria e confiante perante o jogo.

Um Silas descaído para a direita foi o ponto de referência de um ataque muito bem servido por Zé Pedro, que, desta vez, não só marcou, como cumpriu exemplarmente a sua função de distribuidor de jogo.

Logo nos nossos primeiros artigos, salientámos o quão Silas e Zé Pedro são fundamentais numa equipa sem ponta de lanças e sem uma dinâmica de ataque que funcione com alas puros. Essa essencialidade tem sido demonstrada ao longo deste campeonato.

O nosso primeiro golo é disso um excelente exemplo. A defesa do Marítimo estava composta e em superioridade numérica. O que gera o golo é a qualidade fantástica do passe que rasga uma defesa e a classe do trabalho de Silas na área. Um golo de qualidade internacional!

A solidez defensiva responde a seguir, com uma defesa em linha que utiliza confiante e destemidamente o fora-de-jogo com isso coartando a racionalidade ofensiva do adversário.

Espremem-se, então, mais duas das armas que temos: a bola parada, saindo dos pés de Silas um cruzamento muito bom para a área de finalização e, na recarga, a meia distância, mais uma vez pelo “atirador furtivo”, por quem mais havia de ser.

Com 2-0 ao intervalo, a certeza da vitória começava a ganhar consistência.

A entrada na segunda-parte está longe de ser famosa. A nossa segunda linha defensiva (que engloba os trincos e os próprios médios-alas) desce perigosamente para perto da primeira, recuando a muralha para perto da nossa área. O Marítimo alonga a largura da frente de ataque e consegue jogar o suficiente nas alas (sobretudo na ala direita do seu ataque, esquerda da nossa defesa) para criar bastante perigo. Passamos assim 10 minutos de alguma pressão, sem que o muito espaço que o Marítimo abre atrás se si seja por nós aproveitado, faltando capacidade de retenção de bola e acontecendo um fenómeno já ocorrido em jogo anterior: com a recuperação de bola feita muito cá atrás, o nosso contra-ataque não consegue cumprir os 70 metros que o separam da baliza adversária.


Jesus lê muito bem o jogo. Percebe que é o nosso lado esquerdo que está em défice, sendo por aí que o Marítimo arrisca ofensivamente, mas, simultaneamente se desguarnece defensivamente. Manda entrar Eliseu, cremos que para ajudar a resolver o primeiro factor e para explorar o segundo.

Eliseu compensa-o resolvendo-lhe o jogo em 3 minutos, exibição que seguramente recordará pela sua carreira fora. O golo é fabuloso, não só pela forma rápida e destemida como arranca e aguenta o adversário que lhe vai no encalço, como pelo seu entrar na área de cabeça levantada, colocando o guarda redes perante a angústia do remate ou cruzamento, e acabando com uma colocação milimétrica da bola no buraco da agulha.

Três minutos depois, Eliseu repete a dose, desta vez carregado quando já tinha o corpo balanceado e a bola ajeitada para encher o pé.

Zé Pedro, frio e responsável, fez a bola ir para um lado e o guarda redes para o outro, naquilo a que se chama uma cobrança irrepreensível.

A vitória já tinha passagem marcada para Belém, mercê da exibição fantástica de uma equipa que jogou futebol de uma forma séria, adulta, dedicada e que esteve mais do que plenamente à altura da grande camisola que veste.

É certo que passámos por momentos de desconcentração e descompressão a seguir, tendo neles dado um golo ao adversário. Mas, nem nos preocupa este ponto. Com franqueza, não acreditamos que haja no globo terrestre uma equipa que esteja a ganhar 4-0 fora e que não descomprima nos instantes a seguir.

Para mais, o golo do adversário fez a equipa regressar aos seus níveis de concentração, sendo disso bom exemplo Costinha, que, logo após o brinde do 1-4, faz uma defesa fabulosa de grau de dificuldade extremo e que impediu o 2-4 e uma eventual galvanização do adversário.

É de notar que conseguimos, ainda, soltar algumas vezes o contra-ataque, construindo uma jogada fabulosa que culminou num belo golo de Amorim, mal anulado e que seria o 5º!

Uma exibição de gala de uma equipa que vestiu o fato de macaco.

Um fato de macaco “cor-de-laranja”, tonalidade que não deixa de nos horrorizar e de escandalizar (e cuja não repetição exortamos), mas que acaba associado a um resultado histórico.

Enfim, uma exibição e um resultado que hoje nos permitem entrar nos cafés onde se discute bola de cabeça erguida.

Apreciações individuais

Costinha (4) Não obstante a oferta do 1-4, merece nota positiva e alta pela segurança demonstrada durante o jogo e por duas defesas decisivas. Uma na primeira parte, num lance difícil e uma outra na segunda, esta de elevadíssimo grau de dificuldade e que merece entrar no anuário das grandes defesas do futebol Europeu.

Gaspar (3) Sem deslumbrar, esteve rijo e forte como é seu timbre.

Nivaldo (4) Mais uma vez ao seu estilo, quase omnipresente e a comandar uma defesa que esteve tacticamente irrepreensível. Tem na segunda parte o deslize que fez brilhar Costinha, mas o seu caudal de intervenções positivas durante o jogo mantém-no numa nota positiva alta

Rolando (4) Impecável

Alvim (3) Pela segunda vez consecutiva, cumpre, mas sem deslumbrar. Pouco subiu e, embora sem erros flagrantes, precisou de muita ajuda para parar o Marítimo no seu flanco na segunda parte.

Sandro (4) Exibição notável de um jogador que é dos que menos apreciamos no plantel. O posicionamento defensivo foi irrepreensível, sendo o maior responsável por emperrar o jogo ofensivo do Marítimo. A maior surpresa vai, porém, para alguma capacidade de manutenção e passe que lhe permitiu interagir com o ataque.

Amorim (5) A subir claramente de forma. Dedicado ao jogo e concentrado, jogou e deu a jogar. Mais uma vez, conseguiu ainda vir de trás e finalizar, coisa que é importante que faça e que só por erro da arbitragem não nos deu mais um golo.

Cândido (3) Lutador. Embora muito devagarinho, vai subindo de jogo para jogo. Mas, ainda falta muito para o 4.


Zé Pedro (5) Um jogo muitíssimo bom! A defender, a armar jogo, a rematar de meia distância e frio a cobrar a grande penalidade como se impõe. Assumiu todas as responsabilidades que tem na equipa com superioridade. É a prova viva de que, mesmo um "jogador de treinador" (aposta pessoal de Caravalhal), ganha como futebolista quando a mentalidade competitiva passa para outro patamar (o de Jesus). Nós ganhmaos imenso com isso. Consolida-se como a nossa grande marca futebolística!




Silas (5) Assumiu a sua condição de referência máxima do ataque neste jogo logo desde o início. Mostrou a classe que tem no excelente golo que nos abriu as portas da vitória.

Dady (3) Sem muita intervenção no jogo, demonstrou a entrega que se lhe reconhece.

Melhor em campo

Eliseu (5) Pode parecer injusto para Zé Pedro, mas o futebol tem algo de irracional. É certo que durante 90 minutos Zé Pedro esteve a altíssimo nível, mas o que Eliseu fez em 3 minutos vindo do banco só o pode colocar como figura do jogo. Bravo Eliseu!




Manoel e Cabral (1) Muito pouco tempo em campo



Jorge Jesus (5) (porque o limite é cinco, pois, se mais houvesse, mais o pontuaríamos) Merece inteiramente o estado de graça em que está. Tem trabalhado dedicadamente para isso. Há duas evidências: i) trabalho de base, traduzido na personalidade que a equipa apresentou em campo e ii) trabalho de banco. Ontem foi à Madeira dar uma aula sobre a matéria. Bravo Mister!




Notas finais:

É provável que se gere a partir de agora a infindável discussão sobre os benefícios e malefícios do “endeusamento” vs “a falta de ambição”. Não somos especialistas, mas o que o nosso senso comum nos diz é que a melhor receita é o “jogo a jogo”. Jesus parece segui-la.

O fundamental para nós é que a equipa não perca os seus caracteres de concentração e de entrega ao jogo, ou seja, que não perca a sua identidade em campo.

Não podemos ser “os maiores”, mas, também, não podemos ser os “coitadinhos”.

Deixemos as “europas”, mas deixemos também as “manutenções”, os “lugares tranquilos”, as “construções sustentadas”, “os meios da tabela”, as “etapas de crescimento”, etc., etc., etc,.

Façamos uma coisa mais simples: concentremo-nos e trabalhemos para ganhar o próximo jogo na Luz!

E assim sucessivamente.

As contas, depois, fazem-se no fim!

fotos e gravuras: 1ª - Mais futebol, 2ª O Jogo, 3ª e 4ª Mais Futebol, 5ª Record, medalhas Record

Marítimo 1 - BELENENSES 4

OBRIGADO!

Photobucket - Video and Image Hosting

Estamos demasiado eufóricos para escrever. Crónica só amanhã!


BELÉM! BELÉM! BELÉM!